Crítica: Awake – A vida por um fio
Agosto de 2008 • Categoria: Colunas, Ivan Oliveira ChagasPor Ivan Oliveira Chagas
Awake – A vida por um fio: precisão cirúrgica move um suspense regular
Para se realizar um filme, o que mais existe de importante além de uma grande verba para que o projeto saia do papel? A resposta é, em termos, bem simples: ter uma boa idéia, nunca antes explorada por um outro realizador qualquer. Até esse ponto, o novato roteirista e diretor Joby Harold consegue elementos de sobra para a criação de um enredo intrigante e principalmente aflitivo.
Tomando por base uma rara condição cirúrgica, denominada anestesia consciente, que seria algo como quando um paciente, aparentemente sedado, continua a poder ouvir e sentir tudo o que se passa durante a operação a que está sendo submetido, o diretor dá principal mote à história de seu filme debutante: Awake – A vida por um fio (Awake, EUA, 2008), que acaba de aportar em todas as locadoras brasileiras.
Na dianteira da película, está Clay Beresford (Hayden Christensen, de Jumper), aparentemente um dos jovens mais bem sucedidos de Nova Iorque. Apesar de todo o dinheiro e poder que possui, a vida pessoal do empresário não é tão bem sucedida quanto a profissional. O coração de Clay não anda nada bem, de duas maneiras. Primeiro por uma doença que possui e a longa espera que enfrenta na fila de transplante de órgãos, e por outro lado, o relacionamento que tem, às escondidas, com a bela Sam (Jéssica Alba, de Maldita Sorte), assistente de sua mãe (papel de Lena Olin, Escuridão).
A trama flui bem na primeira hora da película, onde Joby Harold consegue segurar por tempo suficiente o suspense que ronda a história de Clay e Sam. Até que, finalmente o empresário consegue um coração novo, que dará uma nova chance de vida à ele, por pelo menos dez anos. Indo contra os palpites de sua mãe, Clay escala para realizar a cirurgia, Dr. Jack Harper (Terrence Howard, de Homem de Ferro) que, apesar de ser seu amigo, tem quatro processos por erros médicos.
Já na mesa de cirurgia, Clay recebe anestesia geral, e é aí que, como todo novato, o diretor peca em algumas partes. Paralisado, Clay consegue sentir e ouvir tudo que se passa à sua volta. Mas o fato que joga o filme ladeira abaixo é exatamente o que dá mote à toda história: o fato do personagem principal descobrir que está em uma enrascada. Mas se pararmos para pensar, tudo que ocorre deste ponto em diante na película, poderia normalmente ter o mesmo destino, se o transfundido não sofresse do fenômeno da anestesia consciente.
Ao que parece, o diretor de Awake foi quem realmente levou uma anestesia geral, pois, o fator principal do filme acaba se transformando num plano de fundo pouco explorado, e na verdade, apenas utilizado para afligir o espectador em algumas boas cenas – ajudadas por computação – dos cortes e procedimentos cirúrgicos realizados por Dr. Jack e sua equipe.
Entre outros momentos de novas descobertas na trama, espíritos saem de seus corpos e trocam papos-cabeça e revelações de segredos intermináveis, ainda mais intrínsecos e levam uma película que, de início, tinha uma idéia excelente a ser explorada, a desembocar num espiral decadente, sujeito até a dizer o título de Awake na frase final do personagem principal. Não sendo leviano, posso classificar a película como regular, já que, enxuta - 84 minutos - ela perde o bom rumo que tinha, apenas da sua terça parte ao final. Para iniciar uma carreira no cinema, dois terços de acertos são mais que suficiente.
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