Crítica de Cinema: Rolling Stones
Agosto de 2008 • Categoria: Colunas, Ivan Oliveira ChagasPor Ivan Oliveira Chagas
The Rolling Stones - Shine a light: aulas grátis de como ser um rockstar.
Frases como: “O Rock’n’Roll não é mais o mesmo”, ou ainda, “O bom e velho Rock morreu”, são destiladas aos montes cada vez que uma nova banda aparece para tentar levantar o título de salvadora de um dos gêneros musicais mais rebeldes e divertidos de todos os tempos. Alguns conseguem durabilidade e fama efêmeras, mas a maioria não passa de pequenos aspirantes ao famoso jargão que mostra do que o rock é capaz, ao mesmo tempo que o denigre: a busca pelo sexo, drogas e rock’n’roll.
Uma das mais antigas bandas do gênero, ainda em atividade, os Rolling Stones, conseguem exemplificar exatamente os três elementos citados acima, ditos elementos de série para uma banda de seu estilo. De experiências homossexuais com David Bowie – é o que dizem, até um filho com a apresentadora brasileira Luciana Gimenez, o vocalista e líder da banda, Mick Jagger, sempre se permitiu ir além, em se tratando de sexo e sexualidade. Kieth Richards, o guitarrista dos Stones têm como marca registrada, além de seus riffs, dentro e fora da legalidade, um vasto envolvimento com drogas. E por último, e mais importante, o rock’n’roll. Bem, nesse aspecto, os Rolling Stones dispensam apresentações.
O inquieto diretor Martin Scorsese (Oscar por Os Infiltrados), que já havia feito uma imersão musical, com o documentário No Direction Home, sobre o cantor folk Bob Dylan, mais uma vez se arrisca no fascinante mundo de músicos amplamente conhecidos, se colocando atrás das câmeras para a realização de The Rolling Stones – Shine a Light ( Shine a Light, EUA, 2007), um documentário que, após curta temporada nos cinemas brasileiros, aporta essa semana nas locadoras de todo o país, e traz o quarteto britânico capturado pelas 20 câmeras de Scorsese, nos mais diversos ângulos possíveis e prováveis.
A visão do experiente Scorsese não vinga no documentário, que aliás, não deveria levar essa classificação. Para ser franco, Shine a Light não passa da captura de uma excelente apresentação dos Stones, por câmeras bem posicionadas. Algumas imagens em preto e branco de bastidores, e outras um tanto quanto antigas de entrevistas concedidas pelos membros da banda, para alguns meios de comunicação também dão mote ao que foi “documentado” por Martin.
Não à toa, Martin escalou a nata dos cameramen para a realização de seu projeto, que registraram dois dias de show dosRolling Stones,no Beacon Theatre de Nova Iorque em 29 de outubro e 1º de novembro de 2006, como parte integrante da turnê A Bigger Bang. O trabalho do cineasta acaba por aqui. A partir de então, entram em cena os reais realizadores de Shine a Light, liderados pelo efusivo e rebolativo Mick Jagger que, aos 63 anos - hoje com 65, não apresenta o menor sinal de se aposentar dos palcos
Apesar de apertado, o pomposo Beacon Theatre também se mostra aconchegante ao deixar os Stones mais perto de seu público, que além de poder enlouquecer com o som da banda, ainda teve o privilégio de ver Jack White, da banda White Stripes, participando em “Loving Cup”, Buddy Guy, em “Champagne & Reefer”, e até mesmo a cantora pop e loura platinada Christina Aguilera, excepcionalmente entoando “Live With Me”, junto a Jagger.
Martin realmente não faz muito por Shine a Light, que poderia passar apenas como mais uma corriqueira apresentação dos Stones, e um banal registro em DVD jogado aos milhares pelas prateleiras das lojas especializadas. Mas o que engrandece o documentário é realmente a energia com que o quarteto consegue se manter no topo até os dias de hoje, fazendo, literalmente o filme “brilhar”. Acredite se quiser, mas até mesmo o carrancudo baterista, Charlie Watts, esboça a alegria de ainda poder dividir o palco com pessoas tão especiais, num seco sorriso nos lábios
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