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CrĂ­tica: Um amor de Tesouro

Agosto de 2008 • Categoria: Colunas, Ivan Oliveira Chagas

Por Ivan Oliveira Chagas

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Um amor de tesouro: será que já vi esse filme antes?

Dinheiro fácil parece ser o sonho de toda e qualquer pessoa. Chega até ser estranha a ânsia que as pessoas possuem em achar milhões escondidos, provindos de qualquer espécie, e desprovidos de dono, para poder convertê-los em bens, fama, e vida mansa. No cinema, essa busca por cifras astronômicas ganha cada vez mais histórias e representantes, e isso não é de hoje. Nessa corrida, encontra-se um filão que anda tendo bastante destaque entre todas as maneiras de se conseguir uma boa grana: a caça ao tesouro.

Indiana Jones há tempos já estava em busca de exóticos tesouros, em meio a suas empreitadas aventureiras por tribos diferenciadas, estudos paleontológicos e muito corre-corre. Pelo seu afastamento que durou 19 anos, ele deu abertura à pseudo-caçadores de tesouros, como Nicolas Cage, e seu fraco A lenda do tesouro perdido, mas também teve uma certa sucessão por Johnny Depp e seu embriagado capitão Jack Sparrow, na bem sucedida trilogia de Piratas do Caribe.

Ao assistir Um amor de tesouro (Fool’s Gold, EUA/AUS, 2008), já disponível em DVD no Brasil, não se espante em pensar: “É impressão minha, ou eu já vi esse filme antes?”. Não é impressão sua. Você já viu história semelhante outras vezes – recorde-se de Mergulho Radical – e provavelmente já deve ter tido a oportunidade de assistir a mesma dupla de atores principais contracenando em outros tempos..

Para ser bem exato, há cinco anos, Kate Hudson e Matthew McCounaghey eram o belo e simpático casal que se alfinetou durante quase duas horas na bem sucedida e engraçadinha comédia romântica Como perder um homem em 10 dias. Passados esses anos, o diretor Andy Tennant, de Hitch – Conselheiro amoroso, resolveu reunir o casal na tentativa de trilhar o rastro de sucesso deixado pelo filme antecessor protagonizado pelo casal. Para evitar confusões, deixo aqui esclarecido que uma história não é continuidade da outra, nem a direção cabe a mesma pessoa.

Kate e Matthew continuam os mesmos. Simpáticos e em boa forma. A química também continua a fluir com grande facilidade entre o casal. O ambiente onde a história se desenrola foi trocado de Nova Iorque, para Florida – na verdade a película foi filmada em terras australianas, e as paisagens paradisíacas não negam isso – mas os papeis de quem irrita quem em Um amor de tesouro se inverteram.

Vivendo às turras com as constantes decepções proporcionadas por Benjamin “Finn” Finnegan (McCounaghey), um amalucado caçador de tesouros, a bela, porém desanima Tess (Kate Hudson), não vê outra saída a não ser se divorciar do marido que, há muito tempo desperdiça seu tempo – e o dela – procurando um tesouro espanhol do século dezoito, perdido nas areias do Caribe.

Sem barco, equipamentos e principalmente dinheiro para suas constantes expedições, Finn naufraga ainda mais em sua empreitada, quando fica devendo uma boa quantidade de dinheiro para um gangsta-rapper, dono da Ilha onde ele crê que o tesouro jaz. Enfrentando uma péssima situação, ele vê tudo mudar quando, com sua boa lábia e sagacidade, consegue fazer o patrão de Tess, o multi-milhonário Nigel Honeycutt (Donald Sutherland) e sua filha, a patricinha descerebrada Gemma (a engraçadinha Aléxis Dziena), financiarem uma nova expedição de caça ao tesouro. Dessa vez, com plena certeza de que tudo dará certo.

Um amor de tesouro
não se sustenta na imprevisibilidade de sua trama. Muito pelo contrário. A junção do casal Hudson/McCounaghey é obviamente proposital, em se tratando de um time que já ganhou uma vez, e quer continuar assim no repeteco. A película parece ter sido feita para que tudo acabe bem no final, com casal apaixonado e tesouro encontrado. Que diferença isso faz? Nenhuma. Para quem busca de entretenimento, Um amor de tesouro deve ser visto como realmente é: uma deliciosa comédia de ação, sem carapuças ou profundidade.

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